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08 fevereiro 2010

AUTOCONHECIMENTO                           
Sofremos muitas vezes por comportamentos aprendidos como corretos em uma época de nossa vida em que não tínhamos discernimento para escolher. Todos sabem que a formação que a criança recebe na infância influencia toda sua vida. Atos, opiniões sobre religião, costumes, moral, preconceitos, regras de conduta, princípios, que variam culturalmente de família para família e, interiormente, de criança para criança. Tudo isso se modela e se delinea sem sequer analisarmos, quando adultos, se ainda continuam a ter algum valor, mantendo o mesmo pensamento e valores, dos quais sentimos muita dificuldade em nos libertar.
Apenas continuamos a repeti-los, e sofremos por verdades que permitimos se tornarem absolutas, mas quando as analisamos descobrimos que jamais foram as nossas verdades. E ainda assim, conscientes disso, permanecemos estagnados.
"Autoconhecimento é a capacidade que nos permite perceber, de forma gradativa, tudo que necessitamos transformar"
Se não houver preocupação em erradicar os velhos padrões ou crenças inadequadas ao nosso mundo interior, corremos o risco de viver sob as condições do que nos ensinaram que é correto, mas que nada nos vale em nossa própria vida, só nos causando conflitos, sofrimento e prisões, da qual somente nós mesmos podemos nos libertar.
Ao longo da vida acumulamos crenças a respeito de nós mesmos e do mundo. Essas crenças passam a agir automaticamente, ou seja, sequer percebemos que determinam nossas escolhas e reações. As crenças que desenvolvemos a partir das lições que aprendemos têm seu aspecto positivo quando funcionam como princípios que nos proporcione crescimento. O aspecto negativo é quando nos fixamos em algumas delas e nos recusamos a refletir e mudar. Se não perceber que está sendo conduzido por crenças, é pouco provável que consiga mudar.
Apenas quando nos tornamos conscientes de verdades que não são nossas e da necessidade de mudar, é que podemos nos libertar delas. Para mudar padrões de pensamentos e comportamentos de uma vida inteira, temos que nos predispor a conhecer e compreender o que sentimos. É quando começamos a crescer, pois o mesmo só acontece quando nos tornamos conscientes do que sentimos. Algumas pessoas insistem em dizer que se conhecem, talvez se conheçam parcialmente. Quando alguém resiste a mudar, nos faz pensar que na verdade elas não compreendem a si mesmas o suficiente para perceber o quanto uma ou mais mudanças são necessárias.
Algumas perguntas que poderá fazer a si mesmo para identificar quais crenças e valores afetam sua vida:
- Qual o grau de influência da opinião de outras pessoas sobre meus atos?
- Quais crenças cooperam para meu bem-estar interior?
- O que me dificulta ter suficiente autonomia para tomar minhas próprias decisões?
- Espero o reconhecimento de alguém por aquilo que realizo e conquisto? Quem?
- O que me impede de ter uma vida mais feliz?
- Tenho o hábito de perguntar sobre o que devo fazer para outras pessoas? Quem?
- Os conceitos que carrego dentro de mim, ou seja, aquilo em que acredito, aumenta ou diminui minha autoconfiança?
Quando nos desfazemos das crenças inadequadas, morre em nós tudo aquilo que é velho, e passamos a reformular ou remodelar novos caminhos, agora de acordo com nossos próprios desejos e valores, o que nos dá a sensação de estarmos verdadeiramente libertos.
Por que não sermos mais humildes e aceitarmos que a maneira com que lidamos com as situações está nos fazendo sofrer? Humildade não tem nada haver com submissão, inferioridade, como muitos acreditam. No entanto, está associada a gentileza, simplicidade, lucidez. Somos humildes quando percebemos que ainda temos muito a aprender, por mais informações que tenhamos: livros que lemos, viagem que fizemos, experiências adquiridas no decorrer dos anos. É importante lembrar que humildade não é passividade, muito pelo contrário, exige acima de tudo confiança em si mesmo. Somente quem tem plena consciência do seu valor pessoal é que não precisa se exaltar.
O autoconhecimento é a capacidade que nos permite perceber, de forma gradativa, tudo que necessitamos transformar. Por isso sua importância. Não precisamos ter medo de nos conhecer, como se isso fosse um fardo do qual não podemos nos livrar, muito pelo contrário, ter maior percepção de si mesmo é o que nos capacita a mudar tudo aquilo que nos faz mal ou nos causa conflito e sofrimento, ampliando nossa consciência sobre nossos potenciais adormecidos, a fim de que possamos vir a ser aquilo que somos em essência. E isso é simplesmente fantástico!
Fonte: Rosemeire Zago (Psicóloga)
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VOCÊ SE CONHECE? SABE QUEM VOCÊ É?                                  
O que faz com que algumas pessoas sejam mais seguras de si, mais estáveis emocionalmente enquanto outras se perdem, se desesperam quando algo acontece? O diferencial que faz com que cada um consiga ter controle sob suas emoções é o autoconhecimento. O quanto você se conhece? Muito? Pouco?
A maior parte das pessoas acredita que se conhece, mas na verdade se conhece muito pouco.
Você ama alguém, confia em alguém que pouco conhece? Geralmente amamos e confiamos em quem conhecemos muito! E se você não se conhece como quer acreditar mais em sua própria capacidade? Como quer ir em busca de seus sonhos se não acredita ser capaz? E por que não acredita ser capaz? Porque não sabe quem você é.
Por isso o autoconhecimento é fundamental para desenvolver o amor por si mesmo e fortalecer a autoestima. A autoestima, ou seja, a consciência de nosso próprio valor, oscila de acordo com as situações e principalmente em como nos sentimos em relação a cada uma delas, e sem autoconhecimento dificilmente conseguiremos estabilidade emocional.
É muito difícil alguém se conhecer interiormente quando a busca está sempre no externo. As pessoas buscam cuidar da pele, mudar o corte do cabelo, comprar roupas, carros, eliminar alguns quilinhos, mas quase sempre esquecem que o caminho deve ser o contrário, de dentro para fora. Quando uma pessoa está bem com ela mesma você percebe isso não pela roupa que está usando, ou o carro que está dirigindo, mas pelo brilho em seu olhar, o sorriso em seu rosto, a paz em seu espírito.
Como alguém que dorme mal toda noite pode sentir paz? Como alguém que está constantemente se criticando, se culpando, se achando errado, pode se amar? Amar-se é condição básica para elevar a autoestima. É importante identificar os fatores que estão te impedindo de elevar sua autoestima.
Sintomas de baixa autoestima
Podemos perceber que a autoestima está baixa quando desenvolvemos algumas características como: insegurança, inadequação, perfeccionismo, dúvidas constantes, incerteza dos seus valores, sentimento vago de não ser capaz, de não conseguir realizar nada, não se permitindo errar e com muita necessidade de agradar, ser aprovado, reconhecido pelo que faz e nem sempre pelo que é.
Se você identificou algumas dessas características, pode ser que esteja precisando aumentar seu autoconhecimento para assim elevar sua autoestima.
Exercício para adquirir autoconhecimento
  • Escreva dez coisas que você gosta em si mesmo.
  • Depois escreva dez coisas que você não gosta em si mesmo ou que gostaria de mudar.
  • Qual lista foi mais fácil de completar?
A maioria das pessoas sente mais facilidade em identificar as coisas negativas. Aprendemos que dizer aquilo que gostamos em nós mesmos poderá ser rotulado de presunção, esnobismo, egocentrismo. Nada disso! Para aumentar o autoconhecimento é preciso ter consciência de quem se é de verdade, avaliando os pontos positivos, sem humildade, tanto quanto os negativos, pois só assim será capaz de mudar aquilo que te incomoda ou te faz sofrer e valorizar o que tem de bom e que geralmente mergulhado em tantas críticas e cobranças, acaba por esquecer. Continue o exercício:
  • Observe as listas. Coloque um “i” nas características internas, ou seja, que dependam apenas de você reconhecê-las. E um “e” nas características externas, que dependam da opinião de outras pessoas.
  • Ao fazer o sinal (i ou e), o que você percebe? Há um equilíbrio entre eles ou você tende mais para um lado?
Se você identificou mais características externas, aquelas que dependem da opinião de outras pessoas, ficará mais vulnerável à opinião dos outros e assim, mais facilmente manipulável, com uma tendência enorme a agradar. Dependerá cada vez mais de aprovação, mas infelizmente nunca da sua própria. Isso quer dizer que toda vez que algo que dependa no mundo externo ou de outras pessoas não correspondam a sua expectativa, você se sentirá frustrado e sua autoestima tenderá a baixar.
Seu valor estará sempre na dependência do que dirão sobre você, não importando muito sua própria opinião. Por exemplo, quando você perde o emprego, quando recebe uma crítica, quando alguém se distancia de você. Tudo isso pode baixar sua autoestima e se sentirá incapaz de continuar e desistirá no meio do caminho. Abandona assim seus sonhos, seus objetivos. Isso acontece quando a principal fonte de autoestima está naquilo que faz pelos outros, sempre querendo fazer algo para as pessoas em busca de aprovação e reconhecimento. E esse é o caminho mais curto para se machucar. Coloca assim todo seu valor nas opiniões ou respostas no mundo externo, e como quase sempre nada disso corresponde ao que espera, e nem ao que você é realmente, se permite depender cada vez mais de como te avaliam, gerando um círculo vicioso.
O importante é desenvolver a capacidade e ter a consciência de saber que o que faz é o reflexo de quem você é. Ao reconhecer seus pontos negativos, poderá mudar um por um. E reconhecendo seus pontos positivos se sentirá mais confiante em sua capacidade de conseguir o que quer que deseje, independente das críticas ou opiniões que terão sobre você, pois acredita em si! E ainda que ninguém te aprove, você terá autoconhecimento suficiente para você mesmo se aprovar e principalmente se amar!
Fonte: Rosemeire Zago (Psicóloga)

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